Feminagem: valorização e reconhecimento de mulheres que são referências comunitárias em Fortaleza

A premiação reconhece mulheres protagonistas de práticas ativistas que operam como instrumentos de transformação social e emancipação coletiva

A “Feminagem” é uma ação promovida pela Ser Ponte que já está em sua terceira edição e que amplia a visibilidade de histórias de mulheres que são referências comunitárias na cidade de Fortaleza. Trata-se de uma premiação que se difere de outras homenagens por ser um ato que busca não apenas uma protagonista isolada, mas também reconhecer mulheres que constroem sua história em comunidade.

A premiação busca valorizar histórias de vida alinhadas com o conceito do feminismo periférico e comunitário. A ideia é reconhecer e valorizar mulheres que enfrentam cotidianamente ameaças que cercam corpos femininos e periféricos, como a remoção forçada de famílias de seus territórios, a violência institucional, a desvalorização do trabalho informal e doméstico e demais desigualdades estruturais.

A primeira edição da Feminagem surgiu em abril de 2023, data que celebra o aniversário da cidade de Fortaleza, quando a Ser Ponte identificou, em sua prática institucional, a falta de registros e celebrações das trajetórias de mulheres líderes comunitárias em Fortaleza. E, para a Ser Ponte, a justiça social requer a superação de desigualdades tanto econômicas, a partir da sua redistribuição, quanto culturais, a partir do reconhecendo daquelas que são referências em seus territórios.

Assim surgiu a Feminagem, como uma forma de reconhecer mulheres que desempenham papéis cruciais no desenvolvimento social e na garantia de direitos em suas comunidades. Os critérios para indicação à premiação são os seguintes: residir em Fortaleza; ter histórico de atuação comunitária comprovado com fotos e registros e ser mulher cis ou trans.

A divulgação da premiação acontece nas redes sociais, dentro de grupos de Whatsapp e canais de comunicação articulados com movimentos populares da cidade. Já as finalistas são selecionadas por uma comissão interna, com base no número de indicações online recebidas, a relevância e registro do trabalho social e a valorização de mulheres que ainda não foram premiadas na cidade.

O perfil das indicadas pode ser dividido em três grupos. O primeiro está associado a coletivos de mães que denunciam violência do Estado nas periferias ou que se articulam pela diversidade e inclusão de seus filhos. Dentro desse grupo, em 2025, houve a homenagem de Alessandra Félix, que atua na pauta de direitos humanos. A militância dela teve início nas filas do sistema socioeducativo em conjunto com outras mães.

Já o segundo grupo é vinculado a movimentos de moradia e defesa do território, voltados às lutas contra o despejo e a articulação de estratégias de sobrevivência contra às tentativas de expulsão, sejam elas promovidas pelo Estado ou por organizações criminosas.

Por fim, o terceiro grupo reúne mulheres conectadas às redes de cozinhas, bibliotecas e associações comunitárias. Dentro deste grupo, em 2025, Cristina Nascimento, do bairro Bom Jardim, foi feminageada por seu trabalho com economia solidária presente desde 2008 com o projeto Bomjart, que produz  com outras mulheres artesanato e Buffet Social da Cozinha Solidária e Criativa Criart.

A professora da rede de educação infantil, Ruth Lima, também foi feminageada dentro deste grupo, ela articula projetos de práticas esportivas e uma biblioteca comunitária que impacta mais de 150 crianças e jovens no bairro Barroso.

Dessa forma, hoje, a Feminagem se consolida também como um lugar de registro, valorização e mapeamento de feminismos comunitários na cidade. Além de ser uma celebração que reconhece a dimensão da mulher como protagonista de práticas ativistas que não só reconhecem e problematizam o cotidiano como espaço de opressões múltiplas, mas que também operam como instrumentos de transformação social e emancipação coletiva.